TEXTOS SOBRE HIPNOSE

TEXTO 1: O PODER TERAPEUTICO DA HIPNOSE

TEXTO 2: A HIPNO-ANESTESIA AUXILIANDO A CLÍNICA MÉDICA

TEXTO 3: HIPNO-ANALGESIA, NA CLÍNICA DA DOR

Por YVONE MATOS CERQUEIRA

  1. O PODER TERAPEUTICO DA HIPNOSE

         Há muito o homem percebeu que a sua comunicação com a realidade pode acontecer em diferentes estados de consciência. E, muitas variações nesta comunicação, podem ocorrer de acordo com a variação dos estados alterados da consciência, tais COMO a hipnose é capaz de produzir.

         A hipnose é um método terapêutico cognitivo-comportamental que permite influenciar condições psíquicas, somáticas e viscerais do indivíduo, por meio de um “rapport” estabelecido entre o sujeito e o hipnotizador. Logo, pode-se dizer que a hipnose é um estado de ser do organismo, e que o hipnotismo nada mais é que uma técnica capaz de acessar este estado.

         Acredita-se que a sugestão hipnótica não age sobre a vontade, mas sobre a imaginação.  Como seres psicossomáticos que somos, não podemos operar apenas nos padrões convencionais da horizontalidade mecanicista de causa e efeito. Torna-se indispensável que busquemos a verticalização. Tender para o alto, nos conduz ao autoconhecimento, à liberdade,

à imaginação, à capacidade de recriar. E são as imagens criadas em estado hipnótico que nos conduzem para isto.

         A medicina ocidental já começa a estudar, entender e explorar as conexões entre a mente e o corpo, há muito utilizadas com grande sucesso, na medicina oriental. A psicossomática e a psiconeuroimunologia são bons exemplos de demonstração de como o corpo é influenciado pela mente e vice-versa. Os estudos sobre a hipnose têm demonstrado de forma direta o impacto do mental sobre o físico E VICE-VERSA.

         A hipnose nos conduz à realidade subjetiva interna, através da produção de “imagens mentais”.  O estado hipnóidal é uma forma bastante eficiente de acessarmos diretamente o inconsciente. O inconsciente se constitui NUMA PARTE existente em nossa MENTE, dotado de reservas inesgotáveis de sabedoria, poder, inteligência, harmonia, paz, alegria plena, beleza indescritível e presença benéfica. Este poder existe em nós e aguarda SUA utilização, DESDE QUE CONSIGAMOS TER ACESSO A ELE, ATRAVÉS DESTES ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA.

Mas, encontram-se, também, no inconsciente, de forma reprimida e/ou recalcada, vários traumas, que sofremos na infância e que para lá foram levados, evitando assim, sofrimentos. Estes traumas são muitas vezes responsáveis por várias doenças que nascem na mente e que somente nela encontram a cura.

As técnicas hipnoterapêuticas têm se mostrados muito eficientes no tratamento destes traumas, assim como fobias, onicofagia, enurese noturna, insônia, síndrome do pânico, depressões, ansiedades, gagueira, dificuldades de falar em público, estresse, neuroses, reações alérgicas, reações negativas a críticas, traumas, tristeza, culpa, perdas e muitos outros problemas de origem emocional. Têm sido também utilizadas para estabelecer comunicação direta com o inconsciente liberando, de forma satisfatória, o potencial construtivo e dinâmico que possuímos, e a volta dos traumas reprimidos e/ou recalcados do inconsciente, permitindo a sua ressignifição e a cura dos traumas.

O efeito anestésico e analgésico da hipnose também vêm sendo usado, com sucesso, na clínica médica e odontológica, tanto para cirurgias de médio e grande porte como para pequenos tratamentos em áreas muito doloridas, especialmente para pacientes que por alguma razão têm limitações quanto ao uso de anestésicos. Na algesia, o uso da hipnose na clínica da dor, tem trazido alívio para dores oriundas de somatizações, e em casos onde os mais poderosos analgésicos já não fazem efeito, tais como: pacientes terminais de alguns tipos de câncer, cefaléas crônicas, enxaquecas, dores psíquicas que perduram em casos de amputações, etc.

  • A HIPNO-ANESTESIA AUXILIANDO A CLÍNICA MÉDICA

Por: YVONE MATOS CERQUEIRA

O uso anestésico da hipnose já é conhecido, historicamente, desde as mais remotas épocas do desenvolvimento das práticas cirúrgicas, quando ainda não eram conhecidas as drogas anestésicas.

Hoje, a medicina moderna vem utilizando a hipnoanestesia sempre que precisa realizar procedimentos cirúrgicos em pacientes com impedimentos para o uso de anestésicos Convencionais, por intolerância às drogas ou em casos de pacientes portadores de diabetes, idosos, ou outras causas limitantes. A utilização da hipnose também pode beneficiar alguns pacientes nas ANESTESIAS locais e bloqueios regionais.

Encontra-se, também, largo uso deste processo, na dermatologia, para aplicações subcutâneas, de substâncias, ou pequenos procedimentos, em tratamentos estéticos; na psoríase, verrugas infantis, ictiose e hiper-hidrose. Também, na clínica cirúrgica restauradora o uso da hipno-anestesia já se faz de forma intensiva.

Torna-se importante ressaltar que o uso desta técnica vem se tornando cada vez mais frequente, em função dos efeitos benéficos da hipnose, que vão muito além do simples alívio da dor. A hipnoanestesia tem efeito sobre o processo de cicatrização rápido, diminui o sangramento durante o processo cirúrgico, atua sobre o sistema imunológico diminuindo o risco de infecções, alivia o efeito traumático diminuindo a formação de hematomas e edemas, além de possuir larga ação pós-cirúrgica aliviando as dores nas primeiras horas após o procedimento.

Na obstetrícia, o uso da hipnose se faz no período pré parto, com indicação e acompanhamento do obstetra, preparando a paciente para enfrentar com bem estar físico e mental o restante da gravidez de forma confiante, tranquila, com grande satisfação. O parto PODERÁ DECORRER completamente sem dor, com contrações efetivas e fortes que promoverão o nascimento do bebê em boas condições, chorando forte, ativo e sem problemas. PODE-SE INDUZIR sugestões para a ocorrência da respiração correta, entre as contrações, ajudando a oxigenar o bebê e induzindo também a facilidade com que A GESTANTE fará força para baixo, NO PERÍODO EXPULSIVO. Na indicação de parto cesárea, a sugestão possibilitará a diminuição do sangramento, cicatrização rápida do corte cirúrgico e ausência de intercorrências.

O procedimento preparatório do paciente para a intervenção realizar-se-á durante duas ou três sessões de hipnoterapia, quando serão feitos a orientação, os testes de SUGESTIONABILIDADE, indução do transe, aplicação da anestesia em luva, ou por outro processo, DEPENDENDO do caso, e indução do sinal hipnógeno, ou signo-sinal, o que facilitará a indução hipnótica no momento da intervenção.

Pode-se também utilizar a hipno anestesia para aliviar a dor durante curativos em feridas infectadas e doloridas, como úlceras varicosas e queimaduras, oferecendo maior conforto, segurança e tranquilidade aos pacientes assim como, melhores condições de trabalho e economia de tempo do profissional médico.

  • HIPNO-ANALGESIA, NA CLÍNICA DA DOR

Por: YVONE MATOS CERQUEIRA

A algesia preocupa-se com a sensibilidade do paciente em relação à dor. Cada pessoa apresenta características próprias em relação à maior ou menor sensibilidade à dor. Analgesia é a abolição da sensação da dor. A hipnose possui efeitos muito eficientes na eliminação da dor, através da hipnoanalgesia.

O efeito analgésico da hipnose ocorre numa região determinada, ou numa área onde o próprio paciente indique. O efeito da hipnoanalgesia pode começar e terminar subitamente, podendo também durar um período indefinido de tempo. O efeito analgésico da hipnose não é mediado pelas beta-endorfinas endógenas, e por isso não são observados os bloqueios produzidos pela naltrexona, não ocorrendo durante o processo nenhuma alteração nas concentrações de endorfinas no sangue.

É possível que a sensação dolorosa aliviada pela hipnose possa recorrer, a exemplo do que ocorre em qualquer outro tratamento para dor, porém a hipnose pode induzir o relaxamento somático e cognitivo, pode reduzir a ansiedade e o medo do paciente, com relação aos procedimentos aos quais ele será submetido.

No processo hipnoanalgésico, a dor percebida pelo paciente é reduzida, porém as variáveis fisiológicas são mantidas. Acredita-se que o processo de redução da dor atua em nível consciente enquanto o estímulo doloroso é registrado no sistema nervoso.

Para que o paciente possa ser submetido á clínica da dor, pela hipnose, ele deve ser portador de:

  1. Indicação médica, para o tratamento hipnoterapêutico;
  2. Estado de grande motivação para o alívio da dor;
  3. Entendimento de que é ele quem tem o controle da dor e somente ele pode dominar a sensação dolorosa;
  4. Que a sensação dolorosa é criada na mente, e somente ali pode ser eliminada;
  5. Compreensão dos efeitos benéficos da hipnoanalgesia.

Por meio da hipnose pode-se interferir na dor aguda que o paciente está sentindo; interferir na dor crônica que apresenta componente afetivo-motivacional de desagrado; produzir anestesia para a realização de muitas cirurgias ou diminuir a quantidade de drogas anestésicas usadas por procedimento.